Há alguns dias, ando não sabendo direito o que pensar sobre a minha vida. Foram tantas as voltas. Até pouco tempo atrás eu achava que não chegaria a lugar algum; há dois dias, eu cheguei em Genebra. Pode parecer a maior besteira, mas eu tenho certeza de que o Universo conspirou para que eu chegasse até aqui. Quase que como um destino, algo que era para ser. Primeiro, o espírito me disse e eu custei a acreditar. Depois disso, foram tantas as coincidências que, hoje, quando paro pra pensar, vejo que só poderia ter sido assim mesmo. Essas minhas andanças pelo mundo me ensinam muito. Além do principal objetivo por detrás delas, seja para estudar ou agora trabalhar, elas me ensinam demais sobre mim. Gosto quando a brisa gelada do inverno se mistura com o quente da taça de vinho. É a combinação perfeita para ativar a minha inspiração. E eu só quero escrever, escrever e escrever. Sobre mim, sobre a vida. A minha vida não tem nada de especial. Mas ela é minha e é por meio dela...
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Sobre ter vinte e tantos anos...
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Tudo começou naquele fim de semestre, quando a vida estava boa, mas algo faltava. "Vou estudar em Paris" - pensei. E começou a longa jornada que hoje me levaria a este lugar. Um mês depois, sentada à beira da janela refletindo, depois de um vinho e dois cigarros, quando, por um instante, me veio à mente precisamente isto: "Um sentimento que não defino é este que me toma o peito agora, ao perceber que eu poderia estar em qualquer outro lugar, mas estou aqui por mérito de minhas próprias escolhas e que devo lidar com todas as consequências desta decisão, sem fraquejar, sem lamentar. Eu quis. Eu quero. Eu estou aqui. Será que esta consciência me credencia para a vida adulta?". Eu, finalmente, estava em Paris... Dia 15 de janeiro, o dia em que entrei no avião rumo ao desconhecido, não era um dia propício para partir. Naquela manhã eu acordei e fui tomar café na padaria com o meu namorado, depois de uma despedida no bar com os bons amigos. Em seguida, minha primeira...
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Decidi que preciso escrever impressões. A de hoje é sobre você... Eu não saberia dizer qual foi o momento exato em que tomei a decisão de te deixar pra trás. Tampouco sei dizer os motivos. Posso até elencar algumas desculpas que usei para me fortalecer e levar adiante. Sei apenas que precisei . Sim, você entendeu bem: eu precisei te deixar. Precisei te deixar pra mostrar que eu sou capaz de tomar decisões por mim mesma. E não nego que tenha sido também pra te mostrar que eu consigo. Só eu sei o quanto me custou pra forjar o início desse "novo eu". É, eu sou uma farsa. Fiz-me forte, superada, pronta para seguir em frente. E assim fui por algum tempo. Hoje já não sei dizer se me mantenho. Mas não descarto a imensa importância desse momento. Eu me permiti ser alguém sem você. Te condenei àquele canto do passado em que se escolhe não mais remexer. Te deixei ali sem nem olhar. E não olhei pra não me deixar levar pelo seu braço que encostaria no meu. Seu olhar que me con...
Sobre as dores..
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Preciso que esse peso saia de dentro do meu peito. Procurar novamente o meu caminho. Será a vida esse eterno recomeço? Gosto do perene. Daquilo que se mantém, porque eu mesma não me mantenho. E já é difícil demais lidar comigo, que dirá todo o resto? Por isso devo ter perdido o controle de tudo. Não sou capaz de apontar qualquer coisa que me pertença. Nem a mim mesma. Entreguei-me ao vazio dessa vida e recebi o vazio com a mesma dedicação. Gostaria de entender muitas coisas, mas já há algum tempo em que desisti. Não me sinto parte desse todo e muito me custa compreender. Tanto sentimento pra sobrar isso? Um nada sem explicação...
Preciso escrever. Mas sobre o quê?
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Há tempos venho dominando essa vontade de sentar pra escrever qualquer coisa que queira ser colocada em palavras. Mas a rotina tem tornado tudo tão mecânico que mesmo os sentimentos se confundem. Apesar de viver dias ensolarados, sinto o coração congelado. Não por falta de sentimentos, mas por não entender o que se passa com ele. Algo como um vazio repleto de urgências. Estou aonde não me encontro, mas também não me perco. E exerço um esforço diário de resiliência. Simplesmente entendi que não é o momento de despertar sentimentos oportunistas, mas somente de encarar a inquietação que o verbo "aceitar" sempre me causou e aprender com ele. Todas as vezes busquei histórias que acalmassem essa urgência, mas para esse momento apenas me calo e aceito. Calo, por não haver nada a ser dito. Aceito, pois faz parte do processo de esclarecimento de mim para mim mesma. "e quando escutar um samba-canção, como: “eu preciso aprender a ser só”. reagir e ouvir o coração responder...
Solidão;
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A casa vazia pra ela é sinônimo de companhia. É dividir a cama e o amor com quem diariamente ela já divide a vida. Mas não hoje. Hoje ela chegou em casa sozinha e sem ter com quem conversar, a menina entrou em seu quarto e se aprontou para o sono. Deitada na cama e sem perspectivas de que as pálpebras se fechassem, deixou-se levar pelo pensamento. Neste momento tão inteira em si mesma, ela descobriu não saber o que pensar sobre si, posto que até da própria solidão a menina conseguia fugir.
reticências.
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Saudade, reticências. Essa é a constante. Porque independente da condição física, a saudade está sempre aqui. Uma saudade indiscreta da cara de noites mal-dormidas que ele apresenta pelas manhãs. E por não dormirem juntos a maioria das noites, a noite já cai farta de si. E ela fica toda chorosa, amaldiçoando a nostalgia, de saudade pela saudade. É pelo gostar do aperto no peito da distância e das borboletas no estômago dos minutos que precedem o reencontro. Um amor adolescente, ele poderia pensar consigo mesmo. Que ser humano não desejaria a maturidade dos sentimentos e a conseqüente estabilidade da qual vem acompanhada? Ela diz que não. Ela não quer. Não espera do cotidiano dias de equilibro em que se come e se bebe e se vive sem a perturbação da febre que a consome todas as vezes em que pensa nele. Como quando ela sai pra correr e bate aquele aperto, aquele mal-estar, e então só precisa se lembrar que deve respirar corretamente, controlar os batimentos cardíacos e tudo volta a...