reticências.

Saudade, reticências. Essa é a constante.

Porque independente da condição física, a saudade está sempre aqui. Uma saudade indiscreta da cara de noites mal-dormidas que ele apresenta pelas manhãs. E por não dormirem juntos a maioria das noites, a noite já cai farta de si. E ela fica toda chorosa, amaldiçoando a nostalgia, de saudade pela saudade.

É pelo gostar do aperto no peito da distância e das borboletas no estômago dos minutos que precedem o reencontro. Um amor adolescente, ele poderia pensar consigo mesmo. Que ser humano não desejaria a maturidade dos sentimentos e a conseqüente estabilidade da qual vem acompanhada?

Ela diz que não. Ela não quer. Não espera do cotidiano dias de equilibro em que se come e se bebe e se vive sem a perturbação da febre que a consome todas as vezes em que pensa nele. Como quando ela sai pra correr e bate aquele aperto, aquele mal-estar, e então só precisa se lembrar que deve respirar corretamente, controlar os batimentos cardíacos e tudo volta ao normal. É por se lembrar de respirar e querer o normal que se dá espaço à conversa monossilábica, ao beijo seco, ao “até mais” sem entusiasmo, a pasmaceira da vida que se acomoda perfeitamente como deveria ser.

Ele não percebe, mas ela não quer isso. Não sempre, ao menos. Ela gosta da confusão. Mas o seu anseio em querer ser paixão, em ser desconcerto todos os dias a impede de cuidar de si mesma. Pois quando ela não consegue, passa os primeiros minutos de sono insones, pensando: “onde eu errei?”.

Eis que ela se levanta, acende a luz, se olha no espelho e pensa: “calma, coração, calminha”. O amor pode ser equilíbrio e, de vez em quando, é bom que exista. Já a paixão é loucura. E mais louco ainda é quem se apaixona e re-apaixona todo dia. Até que ponto não querer enxergar é bom? E quem dará a medida exata das coisas?

Sua necessidade adolescente de intensidade a impede de ver com clareza. Mas ela ainda acredita e se recusa a viver sem paixão. E recusará sempre. Acima de tudo, ela acredita que o mundo é repleto de coisas boas, SIM, e a apatia que se adquire ao longo da vida torna tudo desinteressante. E o desinteresse é o primeiro passo que se pode dar em direção ao fim.

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