Preciso escrever. Mas sobre o quê?

Há tempos venho dominando essa vontade de sentar pra escrever qualquer coisa que queira ser colocada em palavras. Mas a rotina tem tornado tudo tão mecânico que mesmo os sentimentos se confundem.

Apesar de viver dias ensolarados, sinto o coração congelado. Não por falta de sentimentos, mas por não entender o que se passa com ele. Algo como um vazio repleto de urgências.

Estou aonde não me encontro, mas também não me perco. E exerço um esforço diário de resiliência. Simplesmente entendi que não é o momento de despertar sentimentos oportunistas, mas somente de encarar a inquietação que o verbo "aceitar" sempre me causou e aprender com ele.

Todas as vezes busquei histórias que acalmassem essa urgência, mas para esse momento apenas me calo e aceito. Calo, por não haver nada a ser dito. Aceito, pois faz parte do processo de esclarecimento de mim para mim mesma.


"e quando escutar um samba-canção, como:
“eu preciso aprender a ser só”.
reagir e ouvir o coração responder:
“eu preciso aprender a só ser."

- gilberto gil

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