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Sobre as dores..

Preciso que esse peso saia de dentro do meu peito. Procurar novamente o meu caminho. Será a vida esse eterno recomeço? Gosto do perene. Daquilo que se mantém, porque eu mesma não me mantenho. E já é difícil demais lidar comigo, que dirá todo o resto? Por isso devo ter perdido o controle de tudo. Não sou capaz de apontar qualquer coisa que me pertença. Nem a mim mesma. Entreguei-me ao vazio dessa vida e recebi o vazio com a mesma dedicação. Gostaria de entender muitas coisas, mas já há algum tempo em que desisti. Não me sinto parte desse todo e muito me custa compreender. Tanto sentimento pra sobrar isso? Um nada sem explicação...

Preciso escrever. Mas sobre o quê?

Há tempos venho dominando essa vontade de sentar pra escrever qualquer coisa que queira ser colocada em palavras. Mas a rotina tem tornado tudo tão mecânico que mesmo os sentimentos se confundem. Apesar de viver dias ensolarados, sinto o coração congelado. Não por falta de sentimentos, mas por não entender o que se passa com ele. Algo como um vazio repleto de urgências. Estou aonde não me encontro, mas também não me perco. E exerço um esforço diário de resiliência. Simplesmente entendi que não é o momento de despertar sentimentos oportunistas, mas somente de encarar a inquietação que o verbo "aceitar" sempre me causou e aprender com ele. Todas as vezes busquei histórias que acalmassem essa urgência, mas para esse momento apenas me calo e aceito. Calo, por não haver nada a ser dito. Aceito, pois faz parte do processo de esclarecimento de mim para mim mesma. "e quando escutar um samba-canção, como: “eu preciso aprender a ser só”. reagir e ouvir o coração responder...

Solidão;

A casa vazia pra ela é sinônimo de companhia. É dividir a cama e o amor com quem diariamente ela já divide a vida. Mas não hoje. Hoje ela chegou em casa sozinha e sem ter com quem conversar, a menina entrou em seu quarto e se aprontou para o sono. Deitada na cama e sem perspectivas de que as pálpebras se fechassem, deixou-se levar pelo pensamento. Neste momento tão inteira em si mesma, ela descobriu não saber o que pensar sobre si, posto que até da própria solidão a menina conseguia fugir.

reticências.

Saudade, reticências. Essa é a constante. Porque independente da condição física, a saudade está sempre aqui. Uma saudade indiscreta da cara de noites mal-dormidas que ele apresenta pelas manhãs. E por não dormirem juntos a maioria das noites, a noite já cai farta de si. E ela fica toda chorosa, amaldiçoando a nostalgia, de saudade pela saudade. É pelo gostar do aperto no peito da distância e das borboletas no estômago dos minutos que precedem o reencontro. Um amor adolescente, ele poderia pensar consigo mesmo. Que ser humano não desejaria a maturidade dos sentimentos e a conseqüente estabilidade da qual vem acompanhada? Ela diz que não. Ela não quer. Não espera do cotidiano dias de equilibro em que se come e se bebe e se vive sem a perturbação da febre que a consome todas as vezes em que pensa nele. Como quando ela sai pra correr e bate aquele aperto, aquele mal-estar, e então só precisa se lembrar que deve respirar corretamente, controlar os batimentos cardíacos e tudo volta a...